sábado, 23 de outubro de 2010

Cólera mata mais de 200 no Haiti

PORTO PRÍNCIPE, 23 Out 2010 (AFP) -Mais de 200 pessoas morreram no Haiti como consequência da epidemia de cólera declarada no país, anunciou neste sábado o diretor-geral do ministério da Saúde, Gabriel Thimoté. O alto funcionário disse em uma coletiva que foram registradas "mais de 208 mortes", das quais 194 ocorreram no departamento de Artibonite (norte) e 14 no centro do país.
Ao menos 3 mil pessoas estão internadas em hospitais e centros de saúde, que muitas vezes se veem sobrecarregados pela falta de infraestrutura, segundo números fornecidos neste sábado por autoridades sanitárias haitianas.
"A situação está sob controle, a população não deve entrar em pânico, é necessário, pelo contrário, respeitar as medidas de higiene", recomendou o médico Jocelyne Pierre-Louis, funcionário do Ministério da Saúde.
Thimoté disse ainda que as autoridades estão adotando medidas para distribuir água potável à população.
O presidente haitiano, René Preval, acompanhado pelo ministro da Saúde, Alex Larsen, realizou hoje uma viagem de inspeção pelas regiões afetadas pela epidemia.
O ministério da Saúde pediu no sábado à Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah) que distribua entre a população os medicamentos fornecidos por organismos internacionais.
O governo canadense ofereceu um hospital de campanha ao Haiti, enquanto os Estados Unidos planejam entregar grandes barracas para o atendimento dos doentes.
A Cruz Vermelha americana informou que hoje chegará ao Haiti três carregamentos de remédios.
Segundo rádios de Porto Príncipe, pessoas com diarreia e vômitos foram internadas em hospitais próximos à capital, onde até o momento não há casos confirmados de cólera.
"Estes rumores nos levam a investigar se há casos nos bairros da capital, mas não há epidemia na cidade", destacou Thimoté.
A cólera é transmitida pela água, mas também pela comida que esteve em contato com água contaminada pela bactéria.
A doença causa muita diarreia e vômitos, seguidos de desidratação. Com um período de incubação pequeno, pode ser fatal se não for tratada a tempo.
O governo orientou a população a limitar seus deslocamentos e evitar as zonas afetadas pela epidemia.
O empobrecido país do Caribe tem sido atingido nos últimos dias por grandes inundações, piorando a miséria daqueles que lutam para sobreviver em barracas e acampamentos que agora permeiam o país.
Em janeiro passado, um terremoto avassalador, de 7 graus, matou mais de 250 mil pessoas e deixou 1,2 milhão de desabrigados em Porto Príncipe.
cre/LR

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